Fotografo: Rogério Florentino/Olhar Direto
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Sem Legenda

O candidato ao Senado Federal, Nilson Leitão (PSDB), defendeu que o seu tempo de TV seja maior que o da juíza aposentada Selma Arruda (PSL) por força do seu partido. Ele defende que cada um tenha o tempo destinado a sua sigla e que o restante, dos oito integrantes da coligação, seja dividido de forma igualitária. Uma reunião está marcada para tarde desta quarta-feira (29) para tentar selar um acordo entre os dois.

“O tempo de TV do partido da juíza ficará com ela e o meu comigo. Dos outros oito, dividiremos no meio, 50% para cada um. Não tem nada de ilegal o desigual nisto. Tem até um respeito. Na verdade, o partido dela é uma crítica ao meu a nível nacional. Está tudo dentro da legalidade”, comentou Nilson Leitão em entrevista à Rádio Vila Real FM, nesta quarta-feira.
 
Leitão ainda acrescenta que nunca sentou com a colega de chapa para definir esta questão e que uma reunião está marcada para esta tarde, com o objetivo de definir esta situação. Além disto, lembra que tem uma história maior na política que Selma Arruda: “É imprescindível esta lealdade, que cada entrevista que ela dê, entenda que tem um candidato a senador na chapa. Você preservar os valores que aprende em casa é a melhor forma de mudar a política”.
 
“Quem decide isto é o partido. A minha opinião é que existe uma divergência, teremos uma reunião agora a tarde e definiremos isto da melhor forma possível para não prejudicar ninguém.  Tenho uma história, já apanhei muito na política. A Dra. Selma está saindo agora do Judiciário. A experiência e os calos tem um preço enorme que tem de ser levado em consideração”, pontuou o tucano.
 
Por fim, Leitão voltou a frisar que não existe briga alguma com Selma Arruda, como se comenta nos bastidores: “Claro que não posso exigir dela a experiência política partidária. Fui presidente durante seis anos da sigla, nunca mudei. Somos dez partidos, temos dois candidatos a presidente da República que são antagónicos”.
 
Polêmica
 
A juíza aposentada Selma Arruda (PSL), candidata ao Senado pela chapa do governador Pedro Taques (PSDB), promete acionar o colega Nilson Leitão (PSDB) na Justiça, caso ele não divida com ela o 1 minuto e 39 segundos de propaganda eleitoral da coligação. Em entrevista ao Olhar Direto, a candidata se disse prejudicada, mas afirmou que ainda está tentando negociar o assunto internamente, antes de buscar os meios legais.
 
“Essa questão está sendo discutida na coligação. E eu me vejo prejudicada, porque a coligação na quer me dar isonomia, não quer me dar minha parte do tempo como eu tenho direito. Eu ainda estou em negociação, não é algo definitivo, mas se não me derem esse direito eu vou ter que recorrer à Justiça”, disse Selma Arruda.
 
A crise dentro da coligação “Segue em Frente Mato Grosso” deixou de ser novidade desde que a juíza aposentada se negou a pedir votos para Nilson Leitão. Os dois tentaram por algum tempo negar que o grupo estivesse rachado, mas após uma série de declarações de Selma, se dizendo “tecnicamente obrigada” a coligar com os tucanos, em função do tempo de TV, o desgaste foi ficando cada vez mais evidente.
 
Durante a convenção dos partidos, em que Selma até desferiu elogios a Leitão, mas novamente não pediu votos para o colega, o deputado classificou as declarações da juíza aposentada como “inexperiência”.  “Vamos colocar que isto é inexperiência. Meu pai me ensinou a fazer minha parte. Eu vou fazê-la”.
 
Divisão da propaganda eleitoral
 
A legislação eleitoral determina que a coligação some os tempos dos seis partidos com maior tempo de propaganda. Conforme a divisão apresentada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Mato Grosso, na semana passada, na coligação “Segue em Frente Mato Grosso” foram usados os tempos do PSDB, PSB, Solidariedade, PPS, PRP e Patriota, que juntos totalizaram 1 minuto e 39 segundos de tempo de TV e rádio.